Saúde em Pauta -
21/11/2011
O jovem britânico Chris Staniforth, 20 anos, morreu após desenvolver um bloqueio pulmonar devido uma trombose venosa profunda, após jogar vídeo game por 12 horas seguidas. O caso, ocorrido em agosto deste ano, chocou o mundo, e o pai do garoto declarou ao jornal inglês The Sun não imaginar que o vídeo game poderia fazer mal ao filho, já que o menino estava em casa e, aparentemente, em segurança. O encantamento com o mundo dos games é perceptível na maioria das crianças, porém, quando o limite é ultrapassado, o jogo vira vício e suas consequências afetam diretamente a saúde.
A fase escolar pode ser um dos primeiros indícios de um possível vício, momento em que a criança geralmente demonstra os primeiros interesses com o mundo dos games. “O jovem encontra no jogo uma forma de distração, um tipo diferente de interação comparada ao mundo presencial. Por exemplo, uma criança que não tem muitos amigos desenvolve uma maior empatia com o jogo”, explica a psicóloga Ana Luiza Mano, membro do Núcleo de Pesquisas em Informática da Pontífica Universidade Católica de São Paulo, PUC.
O papel dos pais deve ser de constante vigilância, com a obrigação de observar todo e qualquer passo da criança, conversar, conhecer os tipos de jogos utilizados pelos filhos e delimitar horários diários para os jogos. No entanto, a especialista informa que a atividade só pode ser considerada vício quando atrapalha a realização de demais funções como comer, dormir ou estudar.
Pesquisas demonstram que o vídeo game estimula as atividades cerebrais e trabalha a coordenação motora das crianças.
Porém, pecar pelo excesso, nesses casos, é essencialmente prejudicial. Por incrível que pareça, o ato do jogo não é nocivo, e sim, suas conseqüências à saúde. Jogar ininterruptamente provoca danos ao organismo, como olho seco (a criança está tão entretida com o game que esquece até de piscar), dores nas costas e no corpo, além de prejudicar o bom funcionamento do corpo, visto que o jovem não come, não bebe água e torna-se sedentário.
Como livrar-se do vício
Assim como o hábito de jogar é adquirido, ele pode ser abandonado. Com o tratamento adequado, em poucas semanas, a criança pode se curar. No entanto, o acompanhamento deve ser intenso. “De início, é preciso compreender porque o jovem está se chamando de viciado. Nas primeiras semanas, a abordagem é relacionada às suas atividades, como quantas horas de jogo por dia, os tipos, com quantas pessoas, entre outros. Nas últimas semanas do tratamento, identificam-se as razões que os levam ao jogo”, revela a Dra. Ana Luiza Mano.
O mundo dos games está ao alcance de qualquer criança e a rotatividade desses produtos acentua o desejo desses jovens para experimentar um novo espaço virtual. No entanto, dosar a linha tênue entre o aceitável e o exagero é vital para um saudável relacionamento entre família, escola e diversão. |