Saúde em Pauta -
30/01/2012
A denominação é estranha, mas os sinais são muito comuns. A espondilite anquilosante (EA) é uma doença que causa, principalmente, dor nas nádegas e/ou na coluna lombar continuamente por mais de três meses e com ritmo inflamatório, com a presença de rigidez nos locais doloridos. De impacto maior durante a manhã, no período de repouso a patologia costuma piorar, enquanto que com a prática de atividade física os sinais são aliviados.
Vista como a doença das articulações de causa ainda não totalmente elucidada, a EA é uma artropatia inflamatória crônica, autoimune, que acomete principalmente a bacia, a coluna vertebral, os ombros e os quadris, mas também pode atingir os olhos, o intestino, os rins, os ossos, e o coração e vasos sanguíneos.
Mais comum em homens, chegando a proporção de seis para uma mulher, tais incômodos aparecem antes dos 45 anos, geralmente aos 25, em média. Ainda que seja mais raro, a espondilite pode surgir antes dos 16 anos e, ainda menos frequente, depois dos 45 anos. Já as mulheres tendem a apresentar um quadro clínico mais leve e de melhor prognóstico, o que propicia um diagnóstico mais tardio.
Segundo o Dr. Eduardo de Souza Meirelles, chefe do Grupo de Reumatologia do Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas e diretor da Sociedade Brasileira de Reumatologia, quem apresenta EA possui uma predisposição genética, conferida por alguns genes que pode ser pesquisado por meio de exame de sangue.
Aqueles que apresentam alguma predisposição genética devem evitar infecções intestinais como forma de prevenção. Na prática, porém, o diagnóstico é difícil, já que o exame para investigar a presença do gene ainda é restrito, caro e sua existência não significa que a pessoa, obrigatoriamente, vá desenvolver a doença. Como as infecções intestinais apresentam-se com frequência na população em geral, o alerta é direcionado, em especial, aos familiares de portadores, que podem ter um diagnóstico precoce.
Tratamentos e recomendações
Os tratamentos envolvem medicações, fisioterapia e, em casos extremos, cirurgias, principalmente dos quadris. Nos casos de tratamentos com medicações, o especialista irá prescrever os componentes recomendados para cada situação, podendo ser feito, por exemplo, com antiinflamatórios sem hormônio, os chamados imunomoduladores. Já nos pacientes resistentes a estes tratamentos ou que apresentem eventos adversos com os mesmos, pode ser indicada a terapia imunobiológica intravenosa ou subcutânea, um grande avanço da medicina, com o uso de medicações a base de anticorpos, proteínas, antiinterleucinas e bloqueadores da coestimulação do linfócito, de modo a inativar com precisão e segurança os alvos causadores da doença.
Os recentes avanços nos tratamentos possibilitaram melhoras nos quadros da doença, algumas vezes até na sua totalidade. E estudos continuam sendo realizados a fim de investigar e desenvolver mais recursos para os tratamentos.
Além da fisioterapia e medicamentos, algumas outras recomendações são importantes. O colchão em que o paciente dorme deve ser firme e sem depressões, pois se estiver deformado o indivíduo precisa usar uma tábua adequada entre o colchão e o estrado da cama. Uma folha de compensado de 70 x 150 x 1 cm é o ideal e é até mais confortável do que uma cama muito flexível. Quando a fase ativa da espondilite anquilosante passa, é importante manter a cama rígida, evitando qualquer tendência de curvatura da coluna. Se o paciente estiver viajando ou em um hotel, pode colocar o colchão no chão e dormir sobre ele.
O cuidado para dirigir também é fundamental. Se a pessoa for dirigir durante um longo percurso é aconselhável parar por cerca de cinco minutos e sair do carro para se espreguiçar, pois a dor e a rigidez podem distrair a atenção, vital para a segurança. Pacientes com rigidez no pescoço e em outras partes da coluna têm dificuldades em estacionar em marcha-ré, por isso a importância em adaptar espelhos especiais para auxiliar o motorista. Apoios para a cabeça também são indicados para impedir lesões no pescoço devido à desaceleração repentina. O pescoço enrijecido de um paciente com EA é lesionado mais facilmente do que um pescoço normal.
Cenário atual
As estatísticas da doença apresentam um quadro de 0,3% da população de raça branca com EA em alguns países do primeiro mundo. No Brasil ainda não há estatísticas da sua prevalência, que o Dr. Eduardo acredita ser menor que a mundial, já que a população branca no País é muito miscigenada com a negra, raça mais protegida contra a patologia. Não há estatísticas que demonstrem quantas pessoas atingiram remissão parcial ou total da EA, entretanto, certamente este número aumentou significativamente após o advento dos agentes biológicos. |