Rio Preto vai ter um colégio militar em 2022 montado pela Polícia Militar. Diferentemente das escolas comuns, o modelo prevê, por exemplo, o uso obrigatório de uniformes específicos com padrão militar. Entre as regras estabelecidas, os meninos serão proibidos de usar brincos e pulseiras e as meninas terão que usar cabelo preso. A proposta desta escola é preparar os estudantes para a carreira militar, tanto na PM quanto nas Forças Armadas.

A implantação de colégios militares nas cidades de todo o Brasil é uma das principais promessas de campanha do presidente Jair Bolsonaro em 2018. As instituições têm sido criadas por meio do Ministério da Educação, em parceria com Estados e municípios. Mas, diferente da proposta do governo federal, o colégio militar de Rio Preto será gerido pela Defenda PM, uma associação de oficiais da Polícia Militar, mantido em parceria com a iniciativa privada.

A ideia é fazer de Rio Preto um embrião de uma franquia de colégios militares a serem implantadas nas maiores cidades do Estado de São Paulo. A escola vai atuar no período integral e irá oferecer aulas do 6º ano do ensino fundamental até o 3º ano do ensino médio. O último ano do ensino escolar terá um diferencial: vai ser uma espécie de “terceirão” com um cursinho preparatório para os vestibulares de escolas militares de nível médio e superior, como a Academia do Barro Branco, em São Paulo, que forma oficiais da PM, e Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ), de onde sai a elite das Forças Armadas brasileiras.

A Defenda PM afirma que há uma grande demanda por uma escola militar em Rio Preto, principalmente por pais de classe média, para colocar os filhos em instituição de ensino com alto padrão de conteúdo, mas, ao mesmo tempo, com normas rígidas de comportamento.

O coordenador da implantação é o coronel Fábio Rogério Cândido, comandante do CPI-5, responsável por coordenar a PM em 96 cidades da região. O coronel afirma já ter pedido a criação de novos colégios em outras cidades do Estado, como Campinas e Sorocaba.

"É um modelo de ensino cívico militar, montado por oficiais que têm expertise em educação. Montamos um modelo com ensino em período integral e com utilização de uniforme estilizado, semelhante à farda. Vai ter a grade curricular normal, complementada com atividades esportivas, ensino de cadeia de liderança e educação financeira. É uma tentativa de retomada de conceitos e valores éticos que a gente acha que ao longo do tempo se perderam”, diz o coronel.

Segundo Fábio, o colégio também vai ter uma norma rígida de comportamento e postura dos alunos dentro da instituição. “Todo dia vai ter hasteamento da bandeira. O aluno vai ter uma forma respeitosa de se dirigir ao professor, que não vai ser ‘pro’ e nem ‘profi’ [gírias]. Os monitores vão dar aula de ordem unida (formação habitual de marcha, de parada ou de reunião dos componentes de uma tropa). Vai ter também fanfarra”, diz o coronel.

Segundo o oficial, outro diferencial de ensino será visto nas aulas de educação física, principalmente no terceiro ano, que serão voltadas para teste de aptidão física (TAF).

O colégio militar vai ter cobrança de mensalidade, mas o valor ainda não foi revelado pela Defenda PM . Os filhos de policiais militares terão direito a 50% de desconto e ainda vão ser disponibilizadas 100 vagas para concessão de bolsas de estudos 100%. Para viabilizar as bolsas, a Defenda PM tem procurado empresários para investir nos custos dos estudantes carentes que irão passar por uma seletiva.

"Haverá uma comissão de avaliação em que serão levados em conta o estado de vulnerabilidade social, comportamento e aproveitamento escolar”, diz o coronel.

O coronel afirma que a instituição de ensino já está com projeto curricular aprovado pela Secretaria Municipal de Ensino, mas para abertura das vagas ainda falta a vistoria no prédio da escola para verificar se está dentro das normas de acessibilidade exigidas pela legislação federal. A quadra poliesportiva do colégio militar está na etapa de colocação de alambrado e cobertura. A localização do prédio não foi revelada pela instituição.

Um dos apoiadores do projeto é o juiz da Vara da Infância e da Juventude, Evandro Pelarin. "Acho uma excelente ideia. A iniciativa de criação de uma escola, por si só, já é alvissareira. E todas as notícias que tenho e as pesquisas que fiz sobre o modelo militar são altamente positivas. Principalmente, e como vem na proposta daqui, pela criação de vagas para famílias carentes”, diz.


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